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Parece criança...
Essa expressão
é usada como forma de caracterizar outras pessoas
como se não fossem sérias ou não
merecessem credibilidade. Como se infância não
fosse coisa séria. Mas seu significado vai muito
além disso.
Elas possuem
a alegria e simplicidade diante da vida, que vamos perdendo
com o tempo. Seu mundo é mágico, sem deixar
de ser real. Sabem tudo, sem ainda terem aprendido nada.
Quantas vezes já ouvimos a famosa frase: Você
sabia que...? E ouvimos uma explicação
tão completa quanto tenhamos disposição
em ouvir sobre o assunto em questão.
Fazem amigos,
muitos amigos. E quando brigam entre si, essas brigas
só duram se adultos, como os pais, por exemplo,
se intrometem naquilo para o que não foram chamados.
Suas raivas duram o tempo suficiente para encerrarem
aquela brincadeira e começarem outra.
Falam a
verdade quando gostam ou não gostam de alguma
coisa, sem ofenderem ou magoarem os outros. Não
se escondem atrás de frases como: estou
apenas sendo sincero... e sem querer magoar...,
como fazemos para justificar as ofensas que fazemos
uns aos outros.
Querem
se sentir amadas e não têm medo de ter
medo. Nem de serem amadas. Quando se sentem inseguras,
buscam proteção ao invés de brigarem
com todo mundo na tentativa de provar uma coragem que
não têm.
Quando
estão tristes, choram. Quando estão alegres,
riem. Riem muito, riem alto. Não têm medo
de mostrarem sua tristeza nem de celebrarem suas alegrias.
Quando
querem alguma coisa, pedem. Se não recebem sem
que haja uma explicação razoável,
pedem de novo, choram, imploram, fazem promessas, não
desistem diante da primeira negativa. Às vezes,
nem da segunda nem da terceira. Sua persistência
é de nascença, literalmente.
Não
desistem de seus sonhos por que seus sonhos e sua vida
se confundem. São sempre vencedoras, conquistadoras
e, embora não saibam o significado das palavras
imaginação ou criatividade, isso definitivamente
não é um problema para elas.
São
frágeis fisicamente, mas são flexíveis
e com uma capacidade de renovação que
com o tempo, as tornam resistentes. Com o tempo, nos
tornamos resistentes, mas perdemos a flexibilidade e
a capacidade de renovação, que nos tornam
frágeis.
Talvez
tenham sido essas algumas das razões que levaram
Jesus a deixar claro para os seus discípulos
que estavam errados ao tentarem impedir as crianças
de chegarem, por acharem que elas o incomodavam. Ele
usou outra criança para dizer que se não
fôssemos capazes de nos tornar como elas, ou conservarmos
suas características em nós, jamais compreenderíamos
o seu reino, ou o tipo de vida que ele propõe
para nós.
Na criança
existe a capacidade de acreditar, o que torna possível
a fé. Existe, ainda, a capacidade de se deslumbrar
diante do novo, que as fazem descobrir um mundo de possibilidades
além da imaginação. E uma sensibilidade
para amar incondicionalmente, que nos lembra o amor
de Deus. Seja feliz!
Alberto
Stassen
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